OSCAR 2011 - "Breves comentários posteriores"

por Lucas Rey
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Até a parte final, a cerimônia do Oscar não teve nada de grandes surpresas. O injustiçado A Origem acabou com quatro prêmios técnicos, mas perdeu no roteiro original para o Discurso do Rei. Mal sabia eu o prenúncio que esse prêmio carregava quando, depois da óbvia escolha de Firth como melhor ator, Tom Hooper tirou a estatueta que era praticamente certa (e bem mais merecida) à condução de David Fincher. A minha cara foi a de mais espanto possível, pois ali se instalaram as grandes e reais chances de O Discurso do Rei ser o filme do ano. E não foi menos surpreendente: o exemplar britânico acabou ganhando.

Mais de 12 horas depois das premiações, contudo, ainda não me conformo com a escolha da categoria principal. Não nego que O Discurso do Rei seja uma bela história, contada com cuidado e merecedora das 12 indicações. Eu mesmo saí do cinema bastante satisfeito com essa ótima metragem de atuações ainda mais grandiosas. No entanto, O Discurso do Rei, tenho absoluta certeza, é daquele tipo de filme que passa. A Rede Social, por exemplo, virará, amanhã, um grande clássico que conta a história de uma geração; A Origem será lembrada por anos por ser um dos grandes exercícios de raciocínio e complexidade do cinema; o próprio Toy Story é o retrato de um final perfeito que marcará, ao menos, uma geração inteira. Mas O Discurso do Rei, por maior qualidade que tenha (ainda que menor que os anteriormente citados), aos poucos ficará esquecido (talvez não tão esquecido em função do prêmio), porque não possui impacto suficiente para marcar.

Se rememorarmos um pouco, é muito parecido com o caso ocorrido em 2006, quando Crash - No Limite, um trabalho absolutamente comum e hoje somente lembrado negativamente nas recordações do Oscar, tirou a estatueta de O Segredo de Brokeback Mountain que, sem dúvida, é um longa muito melhor e inúmeras vezes mais marcante. Ou mesmo lembrar da injustiça com Cidadão Kane, embora sua derrota tenha um forte traço da influência advinda de relações de poder e política. Ou ainda, provocando um pouco mais, por que não duvidar do merecimento de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen, em face da revolução visual regada com uma excelente trama filosófica provocada por Star Wars? Vocês, evidentemente, podem trazer a discussão do ano passado, na disputa de Avatar e Guerra ao Terror. Só que nesse caso, além da revolução visual, uma projeção precisa possuir qualidades de roteiro, para ser um FILME marcante. E nesse quesito, todos sabem, Avatar falha de maneira bastante chamativa.

Mas quem, de verdade, (pelo bem do cinema) segue as escolhas do Oscar? Quem, por exemplo, indica Shakespeare Apaixonado, ao invés de O Resgate do Soldado Ryan ou A Vida É Bela?

OSCAR 2011 - "Palpites e preferências para levarem a estatueta dourada" - Prêmios Principais

por Lucas Rey
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A maior festa do cinema mundial está chegando e, como bom cinéfilo, eu não poderia deixar de dar os meus palpites e reforçar as minhas preferências. Para ficar mais fácil, separei os comentários por categorias.

MELHOR FILME

Para mim, o melhor do ano que passou está no mágico e perfeito Toy Story 3. É claro que não nutro muitas expectativas de que a Academia quebre um protocolo de 83 anos e dê o prêmio a uma animação, mas... quem sabe? De qualquer forma, acho que pelas últimas premiações (de sindicatos e etc.) o Oscar vai mesmo para o ótimo ("screenshot da geração F5") A Rede Social, desbancando o excelente blockbuster de Chris Nolan - A Origem -, o sensível e tocante drama independente Inverno da Alma e a bela história britânica de O Discurso do Rei. Embora (o moderno) Minhas Mães e Meu Pai e (o psicológico) Cisne Negro sejam exemplares complexos e bonitos de seus temas, devem correr por fora, assim como 127 Horas (milagre realizado por Danny Boyle), Bravura Indômita (o correto mas, mesmo assim, "nada demais" western dos Coen) e O Vencedor (que tirou a vaga de longas muito melhores, com a sua trama batida da superação americana).

MELHOR DIRETOR

Na categoria, a primeira consideração a fazer é: cadê Chris Nolan?????!!!!!!!!!! Como é que não foi indicado pela grande direção em A Origem? Uma das maiores injustiças já feitas! Sendo assim, a estatueta deve parar nas mãos do competente David Fincher, por A Rede Social, sendo seu concorrente mais ameaçador Darren Aronofsky, pelo denso Cisne Negro. A condução de Tom Hooper em O Discurso do Rei é boa (ainda que mais contida), mas aí é demais esperar que a Academia dê a uma metragem britânica o prêmio de melhor direção. Os Coen e David O. Russel (O Vencedor) não têm chance!

MELHOR ATOR

Uma das disputas mais bonitas da noite. Mesmo que tudo aponte para Colin Firth como o grande vencedor, por sua verdadeira incorporação no gago George VI, em O Discurso do Rei, os outros quatro indicados também possuem qualidade invejável. Jesse Eisenberg (meu preferido) é o personagem-retrato perfeito da geração dos computadores (em A Rede Social); (o sempre espetacular) Javier Bardem, mais uma vez, estrutura uma figura extremamente complexa e humana no longa mexicano Biutiful; James Franco segura tudo em 127 Horas, com garra e competência; e Jeff Bridges (que, realmente, está no seu grande momento da carreira) encarnaBravura Indômita quase como em sua desenvoltura premiada em Coração Louco (no ano passado).

MELHOR ATRIZ

Neste quesito, a coisa fica mais fácil. Evidentemente, não pude acompanhar as atuações de Nicole Kidman (por Reencontrando a Felicidade) e Michele Williams (por Namorados Para Sempre) porque, para variar, seus filmes ainda não estrearam por aqui. Annette Bening está muito bem como uma das mulheres do casal homossexual de Minhas Mães e Meu Pai, e Jennifer Lawrence é o verdadeiro espírito de Inverno da Alma. Contudo, minha predileta (e, provavelmente, a favorita de todo mundo) é Natalie Portman, que se doa ao papel da bailarina perfeccionista (deCisne Negro), convencendo o espectador de toda sua inocência e surpreendendo o mesmo com a sua essência sombria no ato final. Espetacular!

MELHOR ATOR COADJUVANTE

O inacreditável acontece: Christian Bale vai ganhar o Oscar. E pior: merecidamente. A entrega de Bale ao papel é tão inegável quanto seu mega-emagrecimento para fazer O Sobrevivente. E, em O Lutador, ele realmente convence (embora não tenha a mesma grandeza dos dois antecessores no prêmio, Heath Ledger e Christoph Waltz)! Dureza para Geoffrey Rush (em O Discurso do Rei), o único concorrente à altura da sensibilidade atingida por Bale. Mark Ruffalo (Minhas Mães e Meu Pai), John Hawkes (Inverno da Alma) e Jeremy Renner (Atração Perigosa) estão muito bem em seus papéis. Só que "muito bem", aqui, é pouco!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

A disputa deve ficar mesmo com as coadjuvantes de O Vencedor: minha preferida é Melissa Leo encarnando a mãe linha-dura de Mark Wahlberg e Christian Bale, mas Amy Adams também se comporta de maneira decisiva como a namorada do boxeador. A mais próxima delas (e, talvez, até melhor que Adams) é a sempre excelente Helena Boham Carter, pela entrega no papel da mulher de George VI, em O Discurso do Rei. Honestamente, ao ver Jacki Weaver (do ótimoReino Animal) e Hailee Stanfield (Bravura Indômita), não percebi nada demais que lhes possa trazer alguma chance de conquista da estatueta dourada.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Não assisti a Another Year, mas, para mim, A Origem sai na frente pela inteligência e agilidade do roteiro em explorar o subconsciente de maneira tão primorosa (um exercício de complexidade!). O Discurso do Rei é competente ao desenvolver uma trama sólida e emocionante, a partir de um simples fato. Minhas Mães e Meu Pai possui, sem dúvida, um excelente roteiro sobre modernidade e o mundo contemporâneo. E O Vencedor é o mais frágil de todos (não necessariamente ruim!) pela sua abordagem mais tradicional, com o tema da superação.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Toy Story é o meu preferido pelo roteiro que mostra, com uma perfeição inacreditável, o amadurecimento das coisas e a despedida inevitável. É o passo final perfeito para uma trilogia perfeita. Contudo, acho que quem vai ficar com o Oscar (a meu contragosto) é A Rede Social que, inegavelmente, possui um guião ágil e bastante perceptivo. Inverno da Alma é também um belo exemplar de trabalho denso, sobre maturidade e crescimento, mas que provavelmente ficará secundarizado, ao lado de 127 Horas - cujo roteiro é realmente surpreendente em transformar aquele fato (mesmo baseado no livro) em filme - e de Bravura Indômita.


MELHOR ANIMAÇÃO

É o caso ocorrido no ano passado com Up - Altas Aventuras. Como a única animação a concorrer a melhor filme não ganharia aqui? Seria incoerência, não? Se, para mim, Toy Story 3 merece a estatueta principal, obviamente que aqui ele reina absoluto. O francês O Mágico é ótimo, assim como a elogiável projeção da DreamWorks, Como Treinar o Seu Dragão. Só que nenhum deles chega perto da perfeição de TS3. A Pixar levará a estatueta pelo quarto ano consecutivo!

OSCAR 2011 - "Palpites e preferências para levarem a estatueta dourada" - Prêmios Secundários

por Lucas Rey
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MELHOR TRILHA SONORA

Aqui, temos mais uma disputa acirrada. A Rede Social parece possuir uma trilha sonora mais discreta, porém primordial ao andamento do longa. E, por isso, acho que levará a estatueta. Já,Como Treinar o Seu Dragão parte para aquela composição orquestrada de espetáculo, justamente para que o público acompanhe as estonteantes cenas que lhe são proporcionadas. Ainda assim, lembrei um pouco das notas de Shrek quando ouvi certa parte da trilha. A Origem segue o mesmo caminho de trilha sonora mais blockbuster (mais vibrante!), enquanto O Discurso do Rei libera notas mais melódicas, calmas e sensíveis. Finalizando, 127 Horas possui composição de A. R. Rahman (de Quem Quer Ser Um Milionário), isto é, aquela trilha sonora peculiar, unindo e mixando diferentes ritmos e sons.

MELHOR CANÇÃO

Ouvindo as quatro músicas, não restou dúvidas de que são merecedoras da indicação. We Belong Together (de Toy Story 3), I See The Light (de Enrolados), Coming Home (de Country Strong, ainda inédito para mim) e If I Rise (de 127 Horas) possuem melodias diferentes e próprias entre si, mas que contagiam e emocionam; e letras igualmente belas sobre seus temas. No entanto, tendo que escolher uma predileta, fico com a de Toy Story 3, pela impecável interação de completude entre a canção e as cenas projetadas na tela, legando perfectibilidade ao significado do longa e imortalizando o ato final.

MELHOR MONTAGEM

Aqui, há uma disputa bastante intensa. Tanto Cisne Negro quanto 127 Horas possuem um trabalho de montagem excelente, que tem uma parcela primordial no impacto de suas cenas. Contudo, melhor ainda está a bela edição feita em A Rede Social, com a escolha certa das tomadas, ajudando na criação daquele clima século XXI. Figura como a minha favorita na categoria. O Discurso do Rei é melhor editado que O Vencedor, assim como é bem mais filme, contudo acredito que correrá por fora nesta categoria.

MELHOR FOTOGRAFIA

Honestamente, sinto falta da bela fotografia do português Eduardo Serra, por Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1, como concorrente na categoria. Contudo, como não se faz presente, acredito e prefiro A Rede Social no quesito, ainda que me encantem as fotografias de O Discurso do Rei, A Origem e Cisne Negro. Na categoria, Bravura Indômita também possui um belo trabalho nas imagens de velho-oeste, mas acho que não é tão atraente quanto os demais.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Aqui, o prêmio deve ficar mesmo com os belos artifícios de A Origem. Talvez consigam fazer frente a ele Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 (seria o primeiro Oscar da franquia!) e Alice no País das Maravilhas (do qual só mesmo o visual se salva!). Homem de Ferro 2 e Além da Vida não surpreendem com seus efeitos e, por tanto, não nutrem chances de arrebatar a estatueta.

MELHOR FIGURINO

Talvez um dos únicos prêmios que o campeão de indicações, O Discurso do Rei, levará, justamente por ser competente e impecável nos figurinos da época. Bravura Indômita e Alice no País das Maravilhas não chamam tanto a atenção aqui. I am Love e The Tempest, eu ainda não vi.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Eu daria o prêmio para Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1, porque esse último filme, realmente, surpreendeu em quesitos visuais. É provável que o prêmio vá para O Discurso do Rei ou mesmo Alice no País das Maravilhas, o que não seria tão injusto assim. Bravura Indômita e A Origem não falham na categoria, mas acho que estão mais distantes do prêmio.

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Quando o assunto é som, normalmente os filmes com mais ação se destacam na categoria. Temos, por exemplo, como concorrente, Salt, que não deve ficar com o prêmio. A Origem seria a mais merecedora, até mais que A Rede Social. O Discurso do Rei e Bravura Indômita, não creio que levarão a estatueta.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Mais uma vez, longas com mais ação figuram aqui. Tron: O Legado e Incontrolável tem, inegavelmente, uma bela edição de som. Contudo, acho que quem leva aqui é A Origem, mesmo que eu torça freneticamente por Toy Story 3. Bravura Indômita não parece ser um grande concorrente.


Sobre as demais categorias, não posso falar muito, porque vi pouquíssmos longas. Em Melhor Filme Estrangeiro, só pude acompanhar o mexicano e bonito Biutiful, enquanto em Melhor Curta-Metragem de Animação, somente assisti o (praticamente) perfeito Dia & Noite. Em Melhor Maquiagem, lembro ter elogiado muito o quesito no texto de O Lobisomem, mas não vi os outros dois concorrentes.

DEIXE-ME ENTRAR - "A inocência das sombras"

por Lucas Rey
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Analisar remakes sempre foi uma tarefa um tanto quanto complicada. Normalmente, as pessoas (inclusive eu) tendem a simplificar as coisas e tão somente comparar a obra avaliada com aquela que lhe inspirou. É igualmente comum que façam pré-julgamentos dessas refilmagens, tirando-lhes o crédito pela falta de ideias e pelo argumento, teoricamente, copiado.
No intuito de evitar tais questões ao longo do texto - que, em algum ponto, realmente cansam - e ser bastante direto na reflexão sobre a metragem em si, destinarei, unicamente, o próximo parágrafo para sintetizar a relação entre as duas produções. Após isso, somente discorrerei a respeito do trabalho de Matt Reeves.

Deixe-me Entrar, como esperado, é extremamente semelhante ao sueco Deixa Ela Entrar (2008), tanto nos diálogos quanto na maioria das cenas. E bem que se poderia negativizá-lo por essa sua condição - afinal, para o bem ou para o mal, é produto da preguiça - não fossem certas qualidades que fazem-no sobreviver e surgir como um bom exemplo de "filme refeito". Excluindo a não-originalidade da projeção ianque (obviamente, um fator que, inevitavelmente, lhe retira alguns pontos), a maior diferença entre os dois exemplares reside na questão do estilo: enquanto o longa europeu - seguindo a característica própria do cinema daquele continente - é mais cru, frio e realista (é claro, sem perder o sentimento); a versão norte-americana tende ao tom romantizado, buscando certos apelos emocionais, ainda que não o faça exageradamente.

Voltando ao cinema de 2011, Owen é um garoto de 12 anos, vítima de bullying na escola. Quando conhece a nova vizinha de mesma idade,
Abby,
no parquinho do lugar onde mora,
ele se apaixona por ela
. Depois de uma série de assassinatos e revelações sombrias, ele descobre que ela, na verdade, é uma vampira.

Primeiramente, é de grande valia chamar a atenção para a construção desses seres míticos. Ao contrário da distorção - a respeito das características deles - que se tem visto em algumas películas nos últimos tempos
, aqui, vampiro é vampiro mesmo: precisa de sangue humano para sobreviver, nada de "vegetarianismos"; necessita de convite para entrar e passa mal com a comida comum; e, principalmente, ele se queima (pega fogo, torra!) quando exposto sol, ao contrário de brilhar como se tivesse purpurina no corpo todo. Sendo assim, o maior desafio (e, posteriormente, qualidade) do roteiro é ligar, de maneira coerente e coesa, essa realidade sangrenta a um contexto próprio e eficaz do jovem casal de protagonistas.

De pronto, aviso: para quem espera uma obra unicamente de horror, não vá com tanta sede ao pote. O gênero está presente, é claro! E devo dizer que, mesmo se caracterizando pela leveza das cenas, é muito bem feito, captando a essência de uma história de vampiros, sem ultrapassar limites ou se perder.

Contudo, o terror fica secundarizado (ainda que não me pareça o termo mais correto) em face do ótimo drama arquitetado em torno dos personagens. Aproveitando todo o clima sombrio (e, de certa forma, até maligno) que envolve o mito, a metragem exercita uma trama de qualidade, capaz de estabelecer uma conexão bastante forte (e, verdadeiramente, encantadora) de amor e proteção entre os protagonistas, e criar momentos que, realmente, "tocam o coração". Evidentemente, o maior predicado do trabalho é desenvolver essa relação com cuidado e carinho (além da boa química e seguras atuações de
Kodi Smith-McPhee e Chloe Moretz), dando àquelas figuras as motivações necessárias, e unindo, de maneira quase poética,
a inocência do afeto entre os dois ao soturno fator homicida de Abbey.

E esse contraponto bonito - que se perfaz, com competência, na fuga da habitual história vampiresca sem ser-lhe desmerecedora - conta com uma trilha bem elaborada, e que ajuda em todo o sentimento presente na confusão e envolvimento dos jovens. O efeito do antagonismo inicial, aos poucos, vai evoluindo para uma sensação de completude entre o perverso e o inocente, resultado da naturalidade da afeição entre Owen e Abbey.

Por fim, se a oportunidade de assistir no cinema surgir, assistam-no sem medo, pois é um longa que, particularmente, parece possuir alma própria, um jeito seu de narrar. Agora, se tiverem que escolher entre os dois exemplares de nomes semelhantes
(em uma locadora, por exemplo)
, optem pelo original, cuja qualidade é ainda maior.
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* Título Original: Let Me In
* Direção: Matt Reeves
* Elenco: Kodi Smith-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas, Sasha Barrese.
* Roteiro: Matt Reeves e John Ajvide.
* Ano: 2010
* Duração: 116 minutos
* Site: http://www.letmein-movie.com/
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